Aina Lab · Risco de crédito

Quando a carteira é pequena, a média pode custar caro

Sorteamos uma carteira de crédito pessoal com 40 segmentos (estado × faixa de renda), cada um com poucos contratos, como a de uma financeira ou cooperativa pequena. A inadimplência real de cada segmento vem do Banco Central, mas fica escondida: você vê apenas o que essa financeira veria, ou seja, quantos contratos ela tem e quantos atrasaram.

A carteira

Como ler cada linha. O círculo vazio é a conta simples: atrasos ÷ contratos. O ponto dourado é a nossa estimativa. A barra dourada é a faixa onde a taxa real provavelmente está, com 90% de chance.

Repare na distância entre o círculo e o ponto. Ela costuma ser maior justamente onde há menos contratos, porque é ali que a conta simples merece menos confiança.

Com poucos contratos, a faixa é larga; com muitos, estreita. Isso não é fraqueza do modelo, é honestidade: ele mostra quanto se sabe de fato sobre cada segmento. E, por ser uma aposta de 90%, cerca de 1 segmento em cada 10 terá a taxa real fora da faixa. Uma faixa que nunca errasse precisaria ser tão larga que não serviria para decidir nada.

  • conta simples (atrasos ÷ contratos)
  • estimativa do modelo
  • faixa provável da taxa real (90%)
  • média da carteira
  • taxa real (Banco Central)
  • taxa real fora da faixa

Segmentos ordenados do menor para o maior número de contratos. Quanto menos contratos, mais a estimativa se aproxima da média da carteira, e mais longe ela fica da conta simples.

Uma carteira pode ter sorte

Uma carteira sozinha pode ter dado sorte. Por isso, repita o teste: sorteie 100 carteiras diferentes e compare os dois métodos em todas elas. Se o modelo for melhor de verdade, a vantagem precisa aparecer de forma consistente, não por acaso.

Essa é a mesma lógica que aplicamos em carteiras reais: produtos recém-lançados, regiões novas, segmentos pequenos demais para uma média confiável. Estimativas que sabem o quanto sabem, para precificar, provisionar e definir limites com segurança.

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